RELAÇÃO ENTRE EMPREENDEDORISMO E RECURSOS HUMANOS

RH

Constantemente recebo mailing ofertando cursos, pós-graduação, palestras em Recursos Humanos, como esta área da Administração poderá fazer diferença na minha carreira profissional, qual o perfil de profissional o mercado está procurando, o que devemos saber para fazer a diferença, etc, mas me pergunto, será que este é o caminho mesmo?

Como falar em perfil de mercado, quando as pesquisas dizem que o número de empreendedores individuais e micro empresários crescem, em boa parte, porque estamos vendo uma redução nos postos de serviço nas grandes organizações e os postos de trabalho ainda existentes não conseguem manter o padrão de remuneração de décadas passadas, trocando em outras palavras, as pessoas estão saindo das empresas por demissão ou por necessidade financeira e viram empresários para conseguir equalizar renda com realização profissional.

Na década de 90, começo das Micro Empresas, montar uma empresa era uma boa opção para ganhar mais e trabalhar menos, hoje é garantia de mais trabalho e menos dinheiro, porém, a elevada carga tributária brasileira reduziu a rentabilidade das empresas que somado ao aumento de encargos sociais resultou na diminuição salarial nas empresas. Considerando que a maioria dos empregados tem gastos com transporte e alimentação fora de casa, além de gastos com a aparência pessoal, fica cada vez mais difícil pagar as contas trabalhando com carteira assinada.

Como empresário podemos organizar melhor nossa agenda e montar uma carteira de clientes o que poderá trazer uma certa estabilidade, por isso, muitos bons vendedores do comércio mudaram de profissão, contadores saíram de empresas e montaram seus escritórios, professores montaram escola de apoio escolar para ministrar aulas particulares e cursos extra-curriculares.

Vendo esta tendência crescer, questiono se toda essa publicidade ofertada por agências de Recursos Humanos é o caminho para o futuro.

Será que um bom profissional, preparado para os novos desafios empresariais, só terá utilidade para as grandes organizações? Fica claro que quase a totalidade destas empresas e profissionais de consultoria de Recursos Humanos estão totalmente defasados e despreparados para qualificar qualquer pessoa para os novos desafios deste século.

Vou dar um bom exemplo: sou contador e bancário, e neste mês de outubro durante a greve dos bancários houve um grande período de silêncio dos bancos, mas pergunto como um empresário pode deixar sua empresa fechada durante mais de 20 dias? A resposta está nas últimas pesquisas do setor, que relata que a cada greve dos bancos, durante os primeiros 10 dias úteis (aproximadamente 15 dias) os bancos aumentam em aproximadamente 18% a fatia de clientes que utilizam o auto atendimento, seja por terminais ATM (caixa eletrônico) ou internet bank.

Pegue estes dados estatísticos e elabore uma planilha de projeção, para chegar no prognóstico que daqui a aproximadamente 15 anos os bancos serão 90% digitais, não terão mais CAIXAS EXECUTIVOS (Funcionário Operador de Caixa), seus contratos serão 100% virtuais e deixarão de existir escriturários, técnicos bancários, gerentes, tesoureiros e outros cargos, para ter meia dúzia de consultores comerciais com a função de fechar negócios para o banco e um gerente geral.

Diante a este cenário, torno a perguntar: será que devemos investir em cursos e qualificação para o mercado de trabalho, se no futuro o mercado de trabalho diminuirá? Principalmente no Brasil, país sem consciência política, cuja população é individualista, não deveríamos investir em como entrar no mercado empresarial.

É unanime ouvir falar em qualificação, profissionalismo, atitude pró-ativa, nestes cursos, porém quando entramos nas empresas encontramos chefes, gerentes, supervisores, todos incompetentes que se especializaram em proteger o cargo deles e furar o olho daqueles que revelam para as empresas que eles são as legítimas ervas daninhas corporativas. No futuro com quadro de funcionários menores e mais terceirizados, estas pessoas perderão o emprego.

É difícil visualizar o novo modelo de organização social em meio a crises econômicas, mas muito do que vemos hoje é o início do “The Day After” – O dia seguinte.

Falar em empreendedorismo no século XXI é tão enigmático como falar em Gestão de Pessoas, 5S, Reengenharia na década de 90, porém a realidade baterá a nossa porta mais rápido do que imaginamos e neste dia, aqueles que não estiverem preparados padecerão, assim como prevê a profecia do dia do juízo final.

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